25/03/2011
Querido - ou não tanto assim - Jeromy,  
Aqui estão certas coisas que eu gostaria de te dizer há muito tempo, mas nunca tive coragem. Quer dizer, coragem nunca foi o real problema. Eu, ao contrário de você, tenho educação. E às vezes educação envolve "omitirmos" certas coisas.
Primeiro queria deixar claro que cada "eu te amo" que saiu da minha boca nunca veio do coração. Sim, foi falsidade, e uma das grandes, já que o que sinto por você sempre foi o contrário disso. Talvez não ódio, já que esse é o sentimento que mais se aproxima do amor, mas repulsa. Segundo, você devia aprender a escrever. Ok, eu entendo que nem todos tem a obrigação de saber escrever, mas já que você não sabe, que tal tentar não corrigir os outros? Acho que isso se chama humildade, mas essa é outra coisa que você desconhece. Procure no dicionário.
Eu odeio, e dessa vez odeio mesmo, a forma como você espera que ajam de uma certa forma com você, mas você age de uma forma completamente diferente com os outros. Você espera simpatia sendo mal-educado. Espera ser levado a sério fazendo piadinhas com os outros. Talvez você tenha conseguido se tornar alguém de destaque na minha vida: a pessoa mais estúpida.
Eu sinto pena de você, sinto mesmo. E às vezes até de mim mesma, de ouvir todas as coisas que você me dizia e ter que forçar um sorriso. Eu costumava me sentir mal por você, mas aí eu percebi que o seu problema não é amor, é carência. Porque as coisas que você dizia pra mim, dizia pra qualquer outra no momento que levava um fora meu. Isso te torna patético, realmente, eu só lamento.
Quase ia esquecendo do cúmulo da sua carência... Quando você fingia que outros amigos seus estavam falando comigo. Ah, e eu me divertia tanto fingindo acreditar. Você vê, a estupidez me fascina a ponto de dar corda à ela.
Ah, eu nunca entendia nada do que você dizia, e quando perguntava o que você estava tentando dizer você me chamava de lerda. Talvez a falha de comunicação estivesse no locutor, e não no receptor. Porque sabe como é, nunca foi problema pra mim entender o que ninguém diz, desde que a pessoa dissesse algo com sentido. E não tentasse bancar o intelectual com palavras pseudo-inteligentes. Palavras inteligentes eu entendo, mas quando são usadas corretamente, e não quando saem de alguém que nem sequer sabe o que elas significam.
Eu, seu amor anônimo, já desconfiava há tanto tempo. Chamava minha irmã pra ler seus textos e pedia pra ela me dizer que você não estava falando de mim. A ideia me enojava um pouco. Mas como uma boa menina, eu comentava, sorria e cumpria o meu papel de amiga inocente. Só que chegamos a um ponto que te devo a minha brutal sinceridade em troca da ignorância que você distribuia gratuitamente.
Nem tudo no nosso relacionamento foi terrível, admito. A forma como você achava ser sarcástico, mas só achava mesmo, me rendia boas risadas. É que entenda, Jeromy, pra gente ser sarcástico a gente precisa usar a inteligência, se não é melhor nem tentar. Mas nossa, boas risadas, sim, talvez eu sinta saudades disso. Rir de ti era um ótimo passatempo.

Foi bom enquanto durou, boa sorte com a próxima garota,
Ellie.
 
 
Current Music: Showbiz - Muse
Current Mood: rancorosa
 
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